Nos últimos anos nós presenciamos uma grande evolução nos games. Os títulos se tornaram cada vez mais sérios, mais reais e/ou mais fantasiosos, variando de acordo com o tipo do jogo. Dificilmente, quando um jogo consegue harmonizar realidade e fantasia, geralmente apresentando novos conceitos, é de se esperar, no mínimo, um ótimo jogo.
Após 5 anos em produção, Alan Wake tinha tudo para ser um grande sucesso. O hype por trás desse game foi imenso. Anunciado para PC e Xbox 360, e posteriormente tendo sua versão para PC cortada, Alan Wake foi a maior aposta da Remedy Entertainment, ainda mais se levarmos em consideração o fato do mesmo ser um título exclusivo da Microsoft.
Alan Wake fora apresentado como um jogo de ação com terror psicológico. Se o mesmo cumpriu o prometido, você saberá até o fim desta análise.
Em Alan Wake, o protagonista de nome homônimo é um grande escritor de livros, que em uma fase não tão boa assim, aceita o convite de sua esposa Alice de viajar para tirar umas férias na pequena cidade de Bright Falls. Era um lugar lindo, com belas paisagens, onde a paz - a primeira vista - parecia reinar.
O que Alan não sabia, porém, é que a ideia de sua mulher não era fazê-lo repousar, e sim, ajudá-lo a retomar sua criatividade, o que acabou gerando uma briga, já que todos viviam fazendo o mesmo, ao invés de deixá-lo em paz.
Após a discussão Alan sai do chalé alugado, e pouco tempo depois as luzes se apagam, e em seguida, sua amada, Alice, grita em desespero - já que a mesma tem medo do escuro -. Alan corre de volta e tudo o que vê é Alice afundando no lago. Ele mergulha, em vão.
Após a cena narrada, Alan encontra-se em seu carro no meio da floresta de Bright Falls, após ter sofrido um acidente, e é ai onde o jogo realmente começa. A busca pela esposa de Alan não será fácil, mantenha-se atento!
A narrativa do jogo assemelhasse a diversas séries contemporâneas, onde por muitas vezes, a personagem principal descreve os fatos em primeira pessoa. Até mesmo as fases - se é que podem ser chamadas assim - são apresentadas como episódios, onde após o fim de cada um rola uma tela de encerramento, e em seguida, de abertura do próximo episódio, contando com um resumo do anterior. É algo genial, sinceramente. Não sei como não haviam pensado nisso antes!

No jogo, os principais inimigos são os 'takens', que em uma tradução literal seria o equivalente a 'possuidos'. De fato, cada um de seus inimigos está possuído pelas sombras. Sendo que para que seja possível feri-los, precisamos da ajuda da luz e claro, de uma arma. Basta iluminar os inimigos até que sua proteção se vá para que possamos mandar bala. Pelos cenários encontraremos lanternas (item indispensável, além de ser o único que pode ser carregado), holofotes, postes e muitos outros. Aliás, grande parte dos checkpoints do game são os postes.
Não só os humanos, mas também alguns objetos ou pequenos animais como corvos, portões, máquinas, e móveis - em que os objetos são chamados de potergheists - podem se opor a você. Mas não se preocupe, para esses, basta uma boa fonte de luz que logo sumirão.
Assim como acontece com as fontes de luz, a variedade de armas também é grande, contando com a pistola, a espingarda (de 2 tiros), espingarda automática (de 8 tiros), a flaregun (sinalizador) - a mais poderosa de todas - e a granada de luz.
No decorrer da aventura haverão fases diurnas e fases noturnas, sendo que cada uma delas conta com um esquema diferente.
Nas diurnas Alan interage com os moradores, tendo em vista que boa parte deles age normalmente.
Nas noturnas o ambiente é totalmente diferente. Alan não pode (e nem deve) confiar em qualquer um que apareça. A maioria das pessoas neste momento do jogo são 'takens' e tentaram matá-lo.
Será comum encontrar folhas de papel pelo cenário, sendo que cada uma delas faz parte do manuscrito, logo, acabam contando o que está por vir, o que para alguns pode ser bom e para outros, ruim. Eu particularmente acho uma boa ideia, já que assim o jogo passa a te deixar mais tenso, ainda mais quando não se têm o manuscrito inteiro. O que poderá vir após o que acabei de ler? Pois bem, jogue e verá.
A única ausência notável é a de chefes que realmente pareçam chefes. Colocar 'takens' mais ágeis ou mais fortes para fazer o serviço é aceitável, mas por que não abusar um pouquinho mais e colocar um espírito que não seja humano?
A jogabilidade possui um misto de ação e tiro em terceira pessoa, algo como o que temos em Gears, porém, com uma liberdade muito maior na parte de movimentação de personagem e exploração do cenário. Na verdade, dependendo de quem joga, mais será um survival do que um jogo de tiro.
Há aqui uma boa física, onde objetos são atirados, o controle sobre os carros é ótimo e as ações da personagem são comparáveis às de um humano real.
Todos os personagens possuem movimentos fluídos e boas expressões durante o jogo, mas curiosamente, as cutcenes apresentam algumas falhas, como lags e visual inferior.
Os gráficos são ótimos, mas não superam alguns títulos de peso. O visual conta com boas texturas e personagens muito bem modelados, apesar de em alguns raros momentos, as pessoas parecerem artificiais demais.
Roda liso em 1080p com uma taxa de quadros super estável, sem engasgar ou apresentar lags.
Os cenários são enormes e muito bem detalhados, com uma boa representação de uma verdadeira cidade pequena, onde o maior destaque vai para a floresta de Bright Falls.
O som cumpre bem o seu papel. A dublagem das personagens é boa, nada excepcional, porém, a trilha sonora ficou fantástica, adicionando um clima tenso ao jogo, acelerando o ritmo do mesmo quando a coisa fica feia.
Se há diversão?
Bem, só de analisar o que escrevi acima - analisar a análise... lindo isso. rs - já dá pra ter uma clara ideia de que se trata de um jogaço. Eu mesmo havia estipulado um horário para jogar, para que pudesse aproveitar e aumentar a duração do mesmo. É bom demais para acabar em apenas uma semana! Vá por mim, você se arrependerá se termina-lo demasiadamente cedo! Não tenha pressa.
O jogo tem um universo bem complexo, bastante vivo, que certamente nos lembrará uma obra cinematográfica, ou até mesmo uma novela. O melhor disso é que a interação com o personagem é bastante profunda, já que o mesmo vai comentando a todo tempo os fatos que vão ocorrendo.
Difícil é querer parar de jogar, pois cada desafio do jogo é imprevisível, embora sejam contados ao jogador com antecedência (no caso daqueles que procuram achar todas as folhas do manuscrito, claro).
Tudo nesse jogo o torna diferente dos demais, o que no caso é muito bom. Ele não chega a ser pavoroso como um Silent Hill, nem tão assustador quanto os primeiros Resident Evil's, mas possui seus momentos de pressão psicológica, que trabalham um pouco com o estado geral da personagem, não apenas com seu medo. Poderiam ter ido mais longe nesse quesito, mas o apresentado, realmente, está de bom tamanho.
Considerações finais
Para quem curte suspense ou jogos de ação, é um prato cheio. A narrativa e os fatos que vão somando ao enredo só farão com que você se apaixone cada vez mais. Apesar de faltar um pouquinho só de 'suspense psicológico', Alan Wake cumpre bem seu papel e além disso, apresenta uma das tramas mais empolgantes da década! O jogo mantém você imerso do início ao fim, e no final, ainda deixa um gostinho de 'quero mais'. Esse eu indico, sem erro. É meu jogo preferido.
Enredo: 10
Gráficos: 9,0
Jogabilidade: 9,0
Diversão: 9,5
Som: 8,5
Média: 9,2